Categoria: Economia

  • Porto da Beira recebe primeiro navio contentorizado de cabotagem e marca nova fase logística em Moçambique

    Porto da Beira recebe primeiro navio contentorizado de cabotagem e marca nova fase logística em Moçambique

    O Porto da Beira registou esta terça-feira, 26 de Maio, um marco importante para o sector marítimo nacional com a chegada do primeiro navio contentorizado de cabotagem no Terminal de Contentores gerido pela cornelder.

    A embarcação, identificada como CPG PATRICIA, transportava ração e fertilizantes, simbolizando o arranque oficial desta operação no âmbito do processo de relançamento da cabotagem em Moçambique.

    Segundo a Cornelder, a chegada da embarcação representa um avanço significativo no reforço da conectividade marítima entre os portos nacionais, além de abrir espaço para soluções logísticas mais regulares, seguras e sustentáveis no transporte de mercadorias ao longo da costa moçambicana.

    A empresa considera que esta operação fortalece ainda mais o papel estratégico do Porto da Beira no apoio ao comércio interno e na circulação eficiente de cargas entre diferentes regiões do país.

    O projecto enquadra-se nos esforços para consolidar um sistema nacional de cabotagem mais funcional e regular, com impacto directo na redução dos custos logísticos, fortalecimento do conteúdo local e aumento do fluxo de mercadorias entre os portos moçambicanos.

    A Cornelder de Moçambique reafirmou igualmente o compromisso de continuar a garantir condições operacionais capazes de impulsionar o crescimento do sector logístico nacional e fortalecer a cadeia de abastecimento do país.

  • Governo admite usar receitas do gás para reparar danos das manifestações e cheias

    Governo admite usar receitas do gás para reparar danos das manifestações e cheias

    O Governo de Moçambique confirmou esta terça-feira que parte das receitas provenientes da exploração de petróleo e gás natural será utilizada para reabilitar infraestruturas destruídas durante as manifestações pós-eleitorais e pelas recentes cheias no país.

    Durante uma conferência de imprensa, o porta-voz do Executivo explicou que cerca de 3 mil milhões de meticais acumulados desde 2022 serão integrados na revisão do Plano Económico e Social de 2026. Segundo esclareceu, os recursos não serão retirados do Fundo Soberano, mas da quota das receitas petrolíferas destinada directamente ao Estado.

    De acordo com o Governo, 60% das receitas geradas pelo petróleo e gás revertem para o Estado, enquanto os restantes 40% são canalizados para o Fundo Soberano, considerado intocável neste momento.

    O Executivo reconheceu que os recursos que poderiam financiar novos investimentos públicos terão agora de ser redireccionados para a recuperação de danos causados pelas manifestações e fenómenos naturais extremos.

    Durante a mesma conferência, o Governo também comentou a possibilidade de uma missão do Fundo Monetário Internacional ao país. Embora não tenha confirmado oficialmente a visita, admitiu que futuras conversações poderão resultar em novos programas de cooperação económica.

    Outro tema abordado foi a situação interna do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), onde o Executivo reconheceu problemas estruturais, falhas nos serviços e possíveis movimentações internas de funcionários no âmbito da reestruturação da instituição.

    As declarações do Governo estão a gerar debate público sobre a utilização das receitas dos recursos naturais e as prioridades económicas do país num contexto de crise social e p

  • Governo de Moçambique Pretende Novo Acordo com o FMI Após Liquidação da Dívida

    Governo de Moçambique Pretende Novo Acordo com o FMI Após Liquidação da Dívida

    O Governo moçambicano manifestou a intenção de negociar um novo programa de apoio com o Fundo Monetário Internacional, depois de ter liquidado antecipadamente a sua dívida junto da instituição, avaliada em cerca de 630 milhões de euros.

    A informação foi avançada pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, que explicou que o país continua comprometido em reforçar a cooperação com o FMI. Segundo o governante, o pagamento da dívida demonstra seriedade e responsabilidade por parte de Moçambique no cumprimento das suas obrigações financeiras, criando assim condições para novos entendimentos e parcerias.

    As negociações estão a decorrer em Washington, no âmbito das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, onde a delegação moçambicana, liderada pela ministra das Finanças, Carla Louveira, mantém encontros técnicos com representantes das instituições financeiras internacionais.

    Também o diretor nacional de Análises Fiscais e Financeiras, Alfredo Mutombene, sublinhou que o pagamento antecipado não representa o fim da relação com o FMI, mas sim o início de uma nova fase de cooperação, com vista à implementação de um novo programa de apoio económico.

    Entretanto, a decisão do Governo não reúne consenso. O político Venâncio Mondlane criticou a liquidação da dívida, considerando que não se trata de uma medida prioritária. Para Mondlane, o país enfrenta desafios mais urgentes, como a dívida interna e os compromissos com empresas nacionais, fornecedores e o reembolso do IVA. O político questiona ainda a falta de debate parlamentar sobre a decisão.

    Por outro lado, representantes do setor empresarial entendem que o pagamento da dívida pode fortalecer a confiança dos parceiros internacionais e melhorar o ambiente de negócios. Ainda assim, alertam que a estabilidade económica deve ser acompanhada por políticas internas eficazes que promovam crescimento inclusivo e sustentável.

  • MINISTÉRIO DO TRABALHO DIZ QUE PENSÕES ESTÃO ASSEGURADAS APÓS DETENÇÃO DE DIRIGENTES NO INSS

    MINISTÉRIO DO TRABALHO DIZ QUE PENSÕES ESTÃO ASSEGURADAS APÓS DETENÇÃO DE DIRIGENTES NO INSS

    O Ministério do Trabalho, Género e Acção Social (MTGAS) pronunciou-se sobre as recentes detenções de dirigentes do Instituto Nacional de Segurança Social, incluindo o seu director-geral, Joaquim Siúta.

    Em comunicado oficial, o ministério confirmou estar a par do processo conduzido pelas autoridades judiciais e reiterou o seu compromisso com a transparência, legalidade e boa gestão dos recursos públicos. A instituição assegurou ainda que está a colaborar com a justiça para o esclarecimento dos factos.

    Apesar do impacto das detenções, o MTGAS garantiu que o funcionamento do INSS não será comprometido. Segundo o comunicado, o sistema de pensões mantém-se estável e operacional, sem riscos para os beneficiários.

    O ministério reforçou que todas as obrigações para com pensionistas serão cumpridas normalmente, assegurando a continuidade dos pagamentos e serviços prestados pela instituição.

    Por fim, o Governo afirmou que continuará a fornecer atualizações ao público, dentro dos limites legais, à medida que o processo evoluir.

  • Moçambique recorre a consultoria internacional para enfrentar crise da dívida pública

    Moçambique recorre a consultoria internacional para enfrentar crise da dívida pública

    O Governo de Moçambique decidiu contratar a empresa internacional Alvarez & Marsal France SAS para prestar serviços de assessoria especializada na gestão da dívida pública, numa tentativa de aliviar a crescente pressão sobre as finanças do Estado.

    A decisão foi anunciada pelo Ministério das Finanças através de um comunicado divulgado no dia 2 de abril de 2026.

    Segundo o documento, a medida surge num contexto preocupante, em que o rácio da dívida pública já ultrapassa os 90% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o serviço da dívida consome mais de 40% das receitas fiscais.

    A Ministra das Finanças, Carla Louveira, considerou a iniciativa um passo importante para garantir maior rigor, transparência e eficiência na gestão das contas públicas. A governante destacou ainda que a experiência internacional da consultora poderá facilitar negociações com credores e abrir caminho para soluções como a reestruturação e o reperfilamento da dívida.

    A contratação foi autorizada pelo Conselho de Ministros, através da Resolução n.º 34/2025, e posteriormente validada pelo Tribunal Administrativo, evidenciando, segundo o Executivo, o compromisso com uma gestão responsável e institucional das finanças públicas.

    Por sua vez, o representante da consultora, Thibaud Foucarde, afirmou que a parceria pretende tornar a dívida moçambicana mais sustentável e alinhada com os objetivos de desenvolvimento do país.

    O apoio técnico estará focado na implementação da Estratégia da Dívida Pública 2025–2029, incluindo o reforço da capacidade negocial do Governo junto de credores bilaterais, multilaterais e comerciais. Entre as prioridades estão a redução dos custos da dívida e a melhoria das condições contratuais.

    O Executivo acredita que esta intervenção poderá gerar impactos positivos, como a diminuição do peso da dívida, a melhoria do perfil de risco financeiro e a criação de maior espaço orçamental para investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestruturas.

    Além disso, espera-se que a iniciativa contribua para restaurar a confiança de Moçambique nos mercados financeiros internacionais e fortalecer a capacidade institucional do Estado na gestão sustentável da dívida.